
edição do dia 03/12/2009 RSS O Portal de Notícias da Globo
03/12/09 - 21h30 - Atualizado em 04/12/09 - 16h20
PMDB pode estar envolvido no mensalão do DEM
A conversa gravada entre o homem que denunciou o esquema e o dono de um jornal incluiu nomes da cúpula do PMDB entre os beneficiários do pagamento de propina. Temer ficou indignado.
Tamanho da letra
A- A+
As denúncias do mensalão do Democratas de Brasília envolveram mais um partido. A conversa gravada entre o homem que denunciou o esquema e o dono de um jornal incluiu nomes da cúpula do PMDB entre os beneficários do pagamento de propina.
O presidente da Câmara convocou a imprensa para falar sobre a denúncia de que ele receberia dinheiro do esquema de propina do Democratas do Distrito Federal.
Michel Temer, que é do PMDB, disse que ficou indignado. E que tomou providências.
“Já estamos com petições prontas para entrar tanto aqui em Brasília com uma queixa-crime, como em São Paulo para receber os supostos documentos apócrifos. Hoje é dia de frieza e de tomar providências concretas para revelar que não temos nenhum temor, nenhuma preocupação em relação a isso”, disse o deputado Michel Temer (PMDB-SP), presidente do partido.
O vídeo em que Michel Temer é citado foi feito pelo então secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal, Durval Barbosa, em seu gabinete, nesse ano. A gravação foi anexada ao inquérito que apura o esquema de propina para aliados do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda.
E mostra uma conversa entre Durval e Alcyr Collaço, dono do Jornal Tribuna do Brasil. O mesmo que em outro vídeo aparece guardando maços de dinheiro na cueca.
Collaço explica a Durval uma operação supostamente feita pelo governador, que teria pago R$ 800 mil para políticos do PMDB. No diálogo, Arruda é chamado de careca.
Alcyr Collaço - Foi uma baita operação do careca. Eu fiquei espantado.
Durval - É, ele fez uma operação com a nacional, parece que com o Luiz Henrique, né?
Alcyr Collaço - É o Henrique Alves, o Eduardo Cunha, com o Temer e...
Durval - E o Filippelli. O Filippelli.
Alcyr Collaço - É.
Durval - O Arruda dá um milhão por mês pro Filippelli. Um milhão.
Alcyr Collaço - 800 paus. 500 é Filippelli, 300 vai pro...
Durval - 500 pro Filippelli?
Alcyr Collaço - É, pro Filippeli pra fazer. Vai 100 pro Michel, 100 pro Eduardo e 100 pro Henrique Alves.
Durval - 100 pro Michel?
Alcyr Collaço - 100 pro Michel, 100 pro Eduardo e 100 pro Henrique Alves. E 100 "ia" pro Fernando Diniz. Morreu. 800 paus. 500 que sai da mesa e 300 que sai lá da Novacap. Chequei e rechequei esse número.
Henrique Eduardo Alves, citado na conversa, é líder do PMDB na Câmara. Em nota, disse que as citações são incabíveis e despropositadas.
Outro citado, deputado federal Tadeu Filippelli, é presidente do PMDB no Distrito Federal. Ele disse, também em nota, que repudia a tentativa de envolver o nome dele no escândalo.
“Esse vídeo é uma conversa de terceiros citando o meu nome e de outros líderes nacionais do PMDB. É uma cosia irresponsável e me cabe buscar na Justiça a reparação disso”, disse o deputado.
Fernando Diniz também era deputado com forte influencia sobre a Comissão de Orçamento da Câmara. Mas faleceu meses atrás.
Eduardo Cunha é deputado federal pelo PMDB do Rio de Janeiro. Passou a participar de decisões de cúpula, por liderar uma bancada com vários parlamentares. O deputado, que responde a processo por crime contra a ordem tributária e também é investigado por crime de corrupção eleitoral, divulgou uma nota em que diz que os diálogos são mentirosos e escondem interesses políticos escusos.
Esses deputados tiveram participação importante no epísódio que culminou com a saída do ex-governador Joaquim Roriz, principal adversário político de Arruda, do PMDB. Na época, Roriz chegou a pedir intervenção de Michel Temer no diretório do Distrito Federal, chefiado por Tadeu Filipelli, mas não foi atendido. Teve que deixar o partido e se filiar ao PSC para poder disputar as eleições ao governo do Distrito Federal no ano que vem.